Primeiro post do blog

De Antonina para a América. Assim pode ser definida a rápida carreira do capelista Silas Antonio do Espírito Santo, 31 anos, que saindo de sua cidade há alguns anos, uma rápida passagem por Curitiba e Rio de Janeiro, acabou conseguindo o “green card” do Departamento de Imigração dos EUA e se fixando em Nova Iorque. Há mais de um ano, como aqui noticiamos, Silas fez um concerto no Carnegie Hall, que embora hoje bastante aberto à música popular, tem (ainda) uma direção artística que exige virtuosismo dos artistas que por ali passam. E o concerto que Silas fez no Carnegie Hall, em 30 de setembro de 1977, mereceu simpáticas apreciações de alguns críticos, que o viram dotado de “boas idéias e motivações”. xxx Agora, Silas Antonio é dono de uma academia de violão – a New Guitar Academy, instalada em Washington Square Church, na 135 West Fourth St: já com um razoável número de alunos. Por enquanto Silas ainda não teve condições de fazer um disco, mas no decorrer deste primeiro semestre isto deverá acontecer. Pelo menos é o que conta, em carta a sua irmã, Lídia, que também já tem planos para seguir aos Estados Unidos. xxx Num mercado artístico como o americano, onde milhares de artistas disputam os (poucos) lugares existentes, não deixa de ser marcante o fato de um violinista paranaense, relativamente com pequena experiência, ir conseguindo, pouco a pouco, o seu lugar. Se é difícil no início, em compensação a recompensa é grande depois que o artista consegue se firmar. Por exemplo, Airto Guimorvan Moreira, 37 anos, catarinense de Itaiacoca, criado em Ponta Grossa e Curitiba, em 10 anos conseguiu se firmar nos EUA, dentro da categoria de percussionista. Em julho do ano passado, com o “advanced” que recebeu da Warner Records, para deixar a Arista Records, pode adquirir uma casa de US 200 mil dólares, em Sunset Boulevard, no bairro de Beverly Hills, Los Angeles, onde junto com sua esposa, a cantora Flora Purim e a filha Diana, está muito bem instalado. Tendo por vizinhos, entre outros, o ator Jack Nicholson e músicos como Herbie Hancock, Stanley Turrentine e Freddie Hubbard. xxx Outro músico de grande quilometragem curitibana, o trombonista de vara Raul de Souza, o Paulinho, também está morando muito bem em Los Angeles. Depois de “Colours”, seu primeiro lp solo, inédito no Brasil, fez “Sweet Lucy”, que a Odeon aqui editou, mas sem a divulgação merecida. Na opinião de Guimorvan, Raulzinho é hoje o melhor trombonista de vara radicado nos EUA – e sue nome deverá encabeçar, na categoria, as listas dos “jazz poll” de 1977/78.
Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:

Veiculo:Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento:Nenhum
Coluna ou Seção:Nenhum
Página:4
Data:18/02/1978
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